Max Cavalera explica ousadia do Sepultura em "Chaos A.D.
Tal mudança, que seria aprofundada anos depois em Roots (1996), começou em Chaos A.D., surpreendendo parte dos fãs da época.

Lançado em 1993, o álbum Chaos A.D. representou um dos momentos mais importantes da carreira do Sepultura. Após estabelecer seu nome no cenário mundial do Metal com a trilogia Schizophrenia (1987), Beneath the Remains (1989) e Arise (1991), a banda decidiu abandonar a fórmula que a havia levado ao sucesso e explorar novos caminhos sonoros.
Tal mudança, que seria aprofundada anos depois em Roots (1996), começou em Chaos A.D., surpreendendo parte dos fãs da época. Em entrevista ao programa Mystic Festival, o vocalista e guitarrista Max Cavalera relembrou o período de criação do álbum e comentou sobre a atual turnê em que executa o disco na íntegra ao lado do irmão, Iggor Cavalera.
Ao recordar o processo de gravação, Max destacou que Chaos A.D. nasceu justamente da vontade de romper com as expectativas criadas pelo sucesso de Arise. Segundo ele, repetir a fórmula anterior nunca foi uma opção: "É bem diferente do antecessor. E me lembro de muita gente perguntando: 'Será que vão fazer 'Arise Parte II', ou vão tentar algo diferente?' E optamos pela segunda opção. Adoro o 'Arise', mas é difícil superá-lo. Entre os três, 'Schizophrenia', 'Beneath The Remains' e 'Arise', é uma trilogia de discos de Death/Thrash quase perfeitos. É difícil superar isso."
Segundo Max, a banda seguiu um caminho diferente: "Queríamos desacelerar tudo, simplificar e tentar fazer músicas mais sólidas. É um disco estranho para mim também, porque tem muitas músicas semi-instrumentais, como 'We Who Are Not As Others' e 'Kaiowas'. Temos uma cover no meio, uma cover do New Model Army, que é ótimo. 'The Hunt' é meio que... adoramos New Model Army e pensamos: 'Que se dane. Vamos colocar no disco.' É o tipo de coisa que fizemos. Sem regras."
Quinto disco do Sepultura, Chaos A.D. ajudou a consolidar a banda na cena internacional. Além de representar uma importante transformação artística, o álbum marcou a consolidação definitiva do Sepultura no mercado fora do Brasil. O disco conquistou disco de ouro nos Estados Unidos, ultrapassando a marca de 500 mil cópias vendidas.
Ao lado de Roots, o disco permanece até hoje entre os trabalhos de estúdio mais vendidos e influentes da trajetória da banda brasileira.
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